O empresário Tiago Oliva Schietti costuma ouvir essa mesma dúvida de quem já decidiu comprar um imóvel pelo consórcio, mas ainda mora de aluguel: afinal, faz sentido continuar pagando aluguel todos os meses enquanto se aguarda a contemplação, ou seria melhor buscar outro caminho mais rápido para sair dessa condição?
À primeira vista, a soma dos dois valores pode parecer um peso duplo no orçamento. No entanto, para entender se essa combinação realmente compromete as finanças ou se, ao contrário, representa uma estratégia bem planejada, é preciso olhar além do simples somatório das duas contas.
Duas despesas com propósitos diferentes
O aluguel garante moradia imediata; a parcela do consórcio, por sua vez, constrói o caminho até a aquisição de um patrimônio próprio. Assim, embora ambos saiam do mesmo bolso, cada um cumpre uma função distinta no planejamento financeiro do consorciado, e é justamente essa diferença que costuma passar despercebida na hora de avaliar se vale a pena manter as duas despesas ao mesmo tempo.
Tiago Oliva Schietti observa que, enquanto o valor pago em aluguel não retorna de forma alguma ao locatário, a parcela do consórcio, ainda que inclua taxa de administração e outros custos, está formando um crédito que, no futuro, vai se transformar em um bem. Por isso, ainda que o esforço mensal seja maior nesse período de transição, ele tende a ser temporário, já que se encerra assim que o imóvel é adquirido e o aluguel deixa de existir.
O tempo de espera é o fator decisivo
Ainda assim, essa lógica só se sustenta quando o prazo até a contemplação é razoável diante da capacidade financeira do consorciado. Se o grupo tem prazo muito longo e o consumidor não pretende ou não consegue dar lances para acelerar o processo, o período de sobreposição entre aluguel e parcela pode se estender por anos, o que exige um planejamento bem mais rigoroso do que o previsto inicialmente.

Diante disso, vale simular diferentes cenários antes de assumir esse compromisso duplo: quanto tempo, em média, esse grupo específico costuma levar para contemplar seus participantes, e qual seria o impacto de uma eventual necessidade de dar lances para reduzir esse prazo. Tiago Oliva Schietti sugere, sempre que possível, conversar diretamente com a administradora sobre o histórico de contemplação de grupos semelhantes antes de assumir o compromisso, já que essa informação costuma ser mais reveladora do que qualquer estimativa genérica.
Quando vale a pena manter as duas despesas?
Para quem já tem um orçamento estável e consegue absorver as duas parcelas sem comprometer outras prioridades, como reserva de emergência ou despesas essenciais, manter o aluguel enquanto aguarda a contemplação tende a ser uma escolha coerente, sobretudo porque, ao final do processo, o resultado é a conquista de um imóvel próprio sem o peso de juros bancários ao longo do caminho.
Por outro lado, para quem já sente dificuldade em arcar com o aluguel isoladamente, entrar em um consórcio de imóvel sem ajustar antes o próprio orçamento pode transformar um projeto de conquista em uma fonte de estresse financeiro. Nesse caso, Tiago Oliva Schietti recomenda repensar o valor da cota escolhida, buscando um valor de parcela mais compatível com a realidade atual, mesmo que isso signifique um imóvel de padrão mais modesto do que o inicialmente desejado.
O que avaliar antes de decidir?
Antes de assumir aluguel e consórcio ao mesmo tempo, vale calcular com precisão o comprometimento total da renda mensal com as duas despesas, incluindo uma margem de segurança para imprevistos, e considerar o histórico de contemplação do grupo escolhido para estimar, de forma realista, quanto tempo esse período de sobreposição pode durar.
Em suma, o empresário resume bem essa reflexão: a decisão de manter aluguel e consórcio ao mesmo tempo não deveria ser vista isoladamente como um peso duplo, mas como uma etapa de transição planejada rumo à conquista de um patrimônio próprio, desde que o prazo e o valor das parcelas estejam de fato ajustados à realidade financeira de quem está pagando por ambos.

