Quando todo resíduo vai para o aterro, materiais com valor são enterrados, problema com que a Versa Ambiental, empresa especializada em engenharia ambiental e gestão de resíduos, lida ao trabalhar com a Central de Valorização de Resíduos, conhecida pela sigla CVR. A proposta da CVR é separar, tratar e aproveitar o que for possível antes de qualquer disposição final, de modo que só chegue ao aterro aquilo que não tem outro destino, seja por limitação técnica, seja por falta de mercado para o material recuperado.
O que é uma Central de Valorização de Resíduos?
Trata-se de uma unidade que reúne, em um mesmo local, várias etapas do manejo de resíduos: recebimento, triagem, tratamento biológico, aproveitamento energético e destinação do que sobrou. Em vez de depender de um aterro como única saída, a central distribui cada fração para o caminho que mais preserva seu valor.
A lógica é parecida com a de uma linha de produção. O resíduo chega misturado, passa por sucessivas separações e sai em lotes homogêneos, cada um com um comprador ou um uso definido. Quanto melhor a separação, maior o valor do que é recuperado. Entulho de obras, por exemplo, pode ser triturado e transformado em agregado reciclado, e restos de poda de árvores podem ser picados e usados como estrutura na compostagem, o que mostra como até materiais pouco lembrados encontram uso dentro da mesma unidade.
Recicláveis secos seguem para triagem e venda
Papel, papelão, plásticos, metais e vidro formam a fração seca. Na central, esses materiais passam por esteiras, onde equipes e, em alguns casos, equipamentos automatizados os separam por tipo e cor. Em seguida, são prensados em fardos, formato que facilita o transporte até as indústrias recicladoras.

Conforme explica a Versa Engenharia Ambiental, a contaminação por restos de comida é o principal fator que reduz o aproveitamento dessa fração, e por isso a qualidade da coleta e da separação na origem influencia diretamente o resultado da central. Material limpo e bem separado alcança preço melhor e encontra compradores com mais facilidade, enquanto lotes sujos são recusados ou vendidos com desconto, o que reduz a receita que ajuda a financiar a operação da central.
Orgânicos viram composto ou biogás
Restos de alimentos, folhas e podas compõem a fração orgânica, geralmente a mais pesada e úmida. Na compostagem, microrganismos decompõem o material com oxigênio ao longo de semanas e produzem um composto que melhora a estrutura do solo, usado em jardinagem, paisagismo e agricultura.
Outra rota é a digestão anaeróbia, em que a decomposição ocorre sem oxigênio, em reatores fechados, e gera biogás, combustível que pode alimentar geradores de eletricidade ou ser purificado para outros usos. A Versa Ambiental indica que a escolha entre composto e biogás depende do volume de orgânicos recebido e da existência de mercado próximo para o produto final.
Rejeitos continuam existindo e têm destino próprio
Mesmo com boa triagem, sobra uma parcela de material sem reaproveitamento viável, o rejeito. Fraldas, embalagens multicamadas muito sujas e resíduos de varrição são exemplos comuns. Tal fração segue para o aterro sanitário, que continua sendo parte do sistema, só que recebendo um volume bem menor.
O desvio das demais frações prolonga a vida útil do aterro, reduz a geração de chorume e de gases e adia a necessidade de abrir novas áreas, algo cada vez mais difícil em cidades com pouco terreno disponível. A Versa Engenharia Ambiental LTDA destaca que, na CVR, a ideia não é eliminar o aterro, e sim reservá-lo para sua função mais restrita, depois que as demais alternativas foram esgotadas. Medir periodicamente o percentual de resíduo desviado permite acompanhar se a central cumpre esse papel e onde há margem para melhorar.

